Como a Biografia da Cassandra Rios se Conecta com a do João do Rio

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Uma breve análise sobre a conexão de dois escritores LGBTs que fizeram história na nossa literatura nacional



Começo esse texto com um clichê necessário:

Não importa por qual rio ou estrada você tente avançar, sempre irá encontrar obstáculos.

E por que disso?

Bom, venho contar a história de dois escritores brasileiros que sentiram na pele os obstáculos impostos por um mundo despreparado para lidar com a diversidade e o novo.

Um acostumado a tomar café com grandes políticos, a outra foi uma das escritoras mais censuradas do Brasil.

Estou a falar agora do escritor e cronista carioca João do Rio e da escritora paulista Cassandra Rios.

Cassandra Rios: Mini Biografia




Década de 70. Desaguava algo de gosto intrigante nas gargantas machucadas.

Em plena ditadura militar, Cassandra Rios desafiava a crítica e a censura com sua correnteza bruta, certeira e sem limites.

A escritora paulista conseguiu ser livre, sim. Ao edificar sua literatura com temáticas eróticas, relacionamentos homoafetivos entre mulheres, machismo e a essência da mulher moderna.




Nascida em outubro de 1932, a menina Cassandra estreou na literatura aos 16 anos com o livro “A volúpia do pecado”.

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A obra conta a história de duas amigas adolescentes que se apaixonam, vivem momentos de intensa paixão e cenas picantes. Até esse amor ser impedido por suas mães, tendo um final trágico para as duas protagonistas.

Não podemos negar que Cassandra desde cedo se empenhou em trazer personagens lésbicas para o centro de suas ficções.

Eram anti-heroínas, amantes carentes, sociopatas entre tantas outras personagens que jogavam por terra o destino coadjuvante de personagens mulheres e homossexuais.

Nesse link, há uma breve análise do seguinte livro da autora: “Eu sou uma Lésbica”.

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Considerada por alguns como a escritora mais censurada da época sombria que esmagava política e culturalmente o país, Rios foi a primeira mulher a vender 1 milhão de exemplares em terras tupiniquins.

Rotulada como uma escritora marginal, a própria autora disse, em uma entrevista, que não fazia parte das margens mas sim, ela mesma, marginalizava a crítica.

Foram mais de 30 livros censurados e diversas intimações para esclarecer o conteúdo de seus livros.

Foi assim que ganhou o slogan em seus livros da Editora Record:

A escritora mais proibida do Brasil.

Cassandra faleceu em 2002 aos 69 anos de vida.

Foram mais de 30 anos sendo a única escritora de destaque do gênero.

O que nos mostra a potência e importância da obra dessa grande autora.

Rios foi uma mulher que apesar de todos os atravancos fez com que sua literatura tomasse corpo e força.

João do Rio: Mini Biografia




Nascido na cidade do Rio de Janeiro no dia 5 de agosto de 1881, o leonino João do Rio se destacou durante sua trajetória literária e jornalística por suas crônicas urbanas, que contavam as transformações estruturais que trariam a modernidade à cidade maravilhosa.

João começou a trabalhar cedo e logo estava dentro de uma redação.

Com 18 anos publicou seus contos homoeróticos “Impotência” e “Ódio”.

Não demorou muito para se tornar jornalista e até hoje é lembrado como o 1º, aqui no Brasil, a seguir a linha de reportagem moderna e ser o pioneiro na oficialização da profissão no país.

O carioca causava uma certa confusão aos leitores e críticos com relação aos gêneros crônica e reportagem, pois tinha como principal características “caçar” assuntos.

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Vivia a andar pelas ruas do Rio de Janeiro, trazendo o ofício do jornalista para fora da redação e criando o estilo do jornalismo brasileiro contemporâneo, mesmo sendo um homem da virada do século.

Foi ele que popularizou a expressão Flanar que vem do francês flâneurs, dizia João que:

“Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada no dicionários, que não pertence a nenhuma língua! O que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia…” (Trecho do livro A Alma Encantadora das Ruas – João do Rio).

Fascinado pela França e com forte influência da Belle Époque, que era o estilo dominante do começo do século XX, o cronista e jornalista chamava atenção por seus trajes finos, fraques de cores chamativas e sua face lisa, nos encontros sociais.

Sobre ele recaiam piadas e certas perseguições, por conta de suas vestimentas e estilo.

João do Rio era negro, robusto, de origem humilde, gay (embora nada fosse tão explícito naquela época) e não tinha medo de trazer inovações tanto para o jornalismo como para a sua prosa urbana.

Seus desafetos sempre caçoavam e o provocavam, por conta de sua imagem e suposta homossexualidade.

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Humberto Campos e Lima Barreto foram uns dos que destilavam provocações e dizeres ácidos ao cronista.

Apesar de seu estilo pomposo e francês, João do Rio era patriota e vivia a rondar os morros da cidade, visitava e entendia cada vez mais a vida daquele povo que estava a se desprender, por ambições do atual prefeito na época, do passado monárquico, e assim ver uma cidade a sonhar em ser ambiente propício a assistir e contribuir para o progresso de sua população.

A elite e alguns escritores torciam o nariz para o homem que ousava ser diferente, ser autêntico e hodierno, no entanto João do Rio seguiu firme por entre correntezas estranhas, marcando seu nome na história do jornalismo e como principal cronista na empreitada de contar a história que nascia em um novo Rio.

A Conexão de Cassandra Rios com João do Rio




Cassandra e João são exemplos de vítimas de perseguições – não importa a intensidade ou o tipo – que ocorrem com pessoas que não estão engessadas nos padrões heteronormativos.

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Tanto faz o modo como o artista se comporta diante a sociedade, seja uma mulher que chuta o pau da barraca ou um homem com toda sua classe e garbosidade.




Esses dois escritores percorreram rios distintos, mas provaram, cada um, das artimanhas traiçoeiras de seus leitos convidativos, porém proditórios.

Não deixe de ler Cassandra Rios e João do Rio.

Imagens: Google & Reversa Magazine.



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