A História Por Trás do Histórico Oscar do Filme Gay Moonlight

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Nesse texto, entenda além da importante histórica premiação do cinema mundial para o filme gay Moonlight 

Se há algo que sempre esteve à frente da comunidade LGBT é a indústria do cinema.

Desde a época em que a nossa comunidade era taxada como aquela que disseminava a AIDS pelo mundo, o cinema se manteve ao nosso lado, registrando tudo o que se passava conosco, por intermédio de todo tipo de produção: das mais famosas e com melhor qualidade de elenco, direção, fotografia e roteiro, às menos prestigiadas ou reconhecidas.

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Nos anos 80, veio a explosão do cinema LGBT, principalmente as produções de filmes gays, com obras cada vez mais realistas.

Hoje, nós vemos Moonlight, o primeiro filme gay a levar a estatueta de melhor obra na maior premiação do cinema mundial.

E isso não foi à toa.

Primeiro porque a comunidade LGBT vem conquistando, a duras penas, os seus direitos.

Por sua vez, a sociedade vem mudando a mentalidade, ciente de que o mundo é muito mais do que uma trama envolvendo um casal hétero.

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Fora isso, a publicidade LGBT que vem chegando com tudo e, mesmo que algumas marcas ainda pisem na bola, não podemos nos esquecer que grandes players de diversos mercados – a começar pelo de bebidas, passando pelos bancos, planos de saúde, empresas de produtos de beleza e de tecnologia, até chegarmos às joalherias – têm destinando parte do seu orçamento de publicidade (mundial e local) para produzir campanhas exclusivamente LGBTQ+.

Por outro lado, vemos o avanço do conservadorismo em todo o mundo, em grande parte representado por políticos homofóbicos, racistas e preconceituosos, que estão ganhando destaque e trazendo com eles um bando de aves de rapina.

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Portanto, na época que estamos, a vitória e a projeção do filme gay Moonlight fez mais do que história.

O feito deste filme, na última edição do Oscar, é tudo aquilo que precisamos no momento:

Uma mensagem clara e direta, para todo o mundo, de que a história das pessoas LGBTs é uma história de gente como eu e você, independentemente da nossa cor da pele ou de com quem vamos para a cama. O que, obviamente, também se aplica aos transgêneros ou pessoas que passaram pela readequação de gênero.

Essa é a narrativa importante que Moonlight nos trouxe, muito mais do que àquela televisionada durante a cerimônia do Oscar.

Além disso, o feito calou a indústria de Hollywood, especialmente por todas as vezes em que filmes LGBTQ+ e/ou com pessoas negras foram renegados devido à ‘crença’ de que essas obras jamais poderiam atingir grandes audiências.

Aliás, Moonlight não só atingiu grandes audiências, mas foi produzido com um orçamento bastante apertado:

Apenas 1,6 milhões de dólares, sendo que seu concorrente La La Land contou com um orçamento de 30 milhões de dólares.

Vale lembrar que, em 2008, o filme Milk: A Voz da Igualdade, teve um orçamento na casa dos 20 milhões de dólares e levou a estatueta de Melhor Ator e de Melhor Roteiro Original.

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Falando ainda das premiações voltadas para o cinema LGBTQ+, não podemos esquecer de citar outros trabalhos LGBTQ+ que, em outros anos, também ganharam o reconhecimento da Academia em diferentes categorias, são eles:

– O Segredo de Brokeback Mountain: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção e Melhor Trilha Sonora
– Meninos Não Choram: Melhor Atriz
– Clube de Compras Dallas: Melhor Ator Coadjuvante
– Philadelphia: Melhor Atriz
– Toda Forma de Amor: Melhor Ator Coadjuvante
– Deuses e Monstros: Melhor Roteiro Adaptado
– As Horas: Melhor Atriz
– Tudo sobre a Minha Mãe: Melhor Filme Estrangeiro
– Filadélfia: Melhor Ator
– O Beijo da Mulher Aranha: Melhor Ator
– Toda Forma de Amor: Melhor Ator Coadjuvante
– Capote: Melhor Ator
– Transamerica: Melhor Atriz
– Monster – Desejo Assassino: Melhor Atriz
– Melhor é Impossível: Melhor Ator, Melhor Atriz
– Priscilla – A Rainha do Deserto: Melhor Figurino

O curioso é que, ao analisar a lista acima com os filmes LGBTs prestigiados com o Oscar, a grande maioria se enquadrou nos prêmios de Melhor Ator e / ou Melhor Atriz.

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Sem querer desqualificar os talentos dos atores e das atrizes que participaram de cada trabalho, isso nos levar a crer que, por décadas, a Academia pode ter acreditado que bastava premiar um filme LGBTQ+ nessas categorias e pronto, já estava tudo resolvido.

Que às grandes produções heteronormativas fossem reservados os prêmios de maior prestígio.

A maioria dos filmes LGBTQ+ trazem a história de personagens que sofreram preconceitos por serem quem são, com finais nem sempre muito felizes.

Como no caso do longa Carol, que, no Oscar de 2016, infelizmente, não conseguiu levar a estatueta de Melhor Filme.

O que nos faz questionar:

E se o filme tivesse levado, isso quebraria o padrão até então adotado da premiação?

(Não podemos no esquecer de que Cate Blachett também perdeu o Oscar de Melhor Atriz. O que é lamentável, afinal, seria um filme com temática lésbica com premiação para uma atriz que interpreta uma personagem que não morre no final).

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Por fim, a questão racial que Moonlight levanta – outro ponto que foi destacado em algumas avaliações sobre a premiação: é que trata-se de um filme de cota…

Bem, caso seja mesmo, isso não invalida, de forma alguma, a importância da obra, ou seja, um filme que conta a história de um homem negro e gay.

Em outras palavras, Moonlight, como já foi dito no início, é um filme que entra na seguinte cota:

A história de uma pessoa, alguém como eu e você.

Imagens: Google // Unplash.

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  • Kelly Lima

    <3