O que Glee e Girls têm de melhor?

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Entre roteiros, trilhas, polêmicas, lugares-comuns e personagens mais ou menos instigantes, seriados conquistam (ou não) a audiência

Já adianto: a primeira temporada foi chata e sem sentindo, o melhor de tudo eram o cenário e a trilha sonora. Já a segunda, comecei a assistir só para visualizar o cenário e a trilha, que a cada novo episódio era excelente. E na terceira, os personagens amadureceram e, finalmente, pareciam adultos, com dilemas menos chatos e sem sentido. Já o cenário… Continua a cada capítulo mais impactante e a trilha está mais ou menos, ou seja, nem tão boa, nem nem tão ruim: simplesmente “audível”.

Cara leitora, é dessa forma que poderíamos resumir as três temporadas do seriado “Girls” se, na última, não houvessem duas passagens que valem ser reproduzidas aqui: duas cenas lésbicas realistas (é bom usar esse adjetivo para que você compreenda que ainda há quem faça produções que realmente representem o nosso mundo apenas com o uso da fantasia) que apresento abaixo.

Mas, antes de tudo, gostaria de explicar as minhas afirmações do primeiro parágrafo. Comecei a assistir a esse seriado por indicação de alguns amigos que moram em Minas Gerais, mas sempre achei que a série é uma variação, sem cantoria e com cenas da cidade de Nova York, de “Glee”. Nada contra quem gosta desse último produto audiovisual, até porque até a segunda temporada eu amava “Glee”. Depois, o roteiro ficou chato, assim como as músicas / arranjos. Já “Girls” diz respeito a uma turminha de amigos tentando sobreviver (na verdade, tentando tornar-se adulta), com idade aparente de 18 anos e que acabaram de ir morar sozinhos. Isso porque o roteiro gira em torno de mulheres entre 23 a 24 anos.

Para mim, uma série tem que prender a atenção de quem a assiste, precisa renovar-se a cada episódio e apresentar mais confusões e um desenrolar surpreendente em uma mesma cena, grudar na sua cabeça e não deixar você pensar em mais nada no dia que não seja na vontade / curiosidade de querer saber que fim a história (na verdade, o roteiro) irá apresentar, além de refletir a vida cotidiana com um toque, muito sutil, de fantasia, assim como os sonhos e desejos de todas as pessoas. E “Glee” não é nada disso, muito menos “Girls”. Aliás, esse último seriado apresenta várias meninas desengonçadas que tentam resolver suas próprias dificuldades, que, diga-se de passagem, não eram “problemas” e que ainda me fazia me sentir uma adolescente descobrindo que existe sexo na vida, festas, amigos e bebidas alcoólicas.

girl - terceira temporada
Como na vida nem tudo é crítica e frases negativas, na terceira temporada de “Girls”, como eu disse acima, o seriado teve algo que merece a nossa atenção. As meninas finalmente começaram a correr atrás de emprego (de verdade), Adam (Adam Driver) e Hannah (Lena Dunham) vão morar juntos no Brooklyn, Shoshona (Zosia Mamet) deixa de ser uma mulher medrosa para se envolver com pessoas e Jessa (Jemima Kirke) ainda continua mais perdida do que nunca (sem o espectador saber se ela é viciada, se ela é realmente doida ou se simplesmente não quer saber da vida e explorar a sua beleza para conseguir sobreviver). Ah, a Marnie (Allison Williams) resolve também correr atrás do sonho de ser cantora! Ufa! Agora sim, os problemas da vida adulta começaram a aparecer para os personagens que estão iniciando as suas vidas.

E uma das primeiras confusões – em uma cena LGBT – acontece no aniversário de Hannah, que é um evento “bafônico”. Seu chefe (John Cameron Mitchel) e editor do seu e-book vai à festa, fica no Grindr o tempo todo e briga no final. Um casal de meninas lésbicas são as primeiras a dar “Oi” para Hannah, que só quer se divertir, mas tem que ouvir uma cantoria depressiva de Marie, o que provoca o maior constrangimento em todos os presentes.

E a parte mais absurda (sim, apesar da série ter melhorado, não quer dizer que está 100%) e interessante foi a ida inexplicável de Jessa para uma clínica de reabilitação, a qual não se sabe direito se é de drogas, alcoolismo, ou para tratar ambos – no final desse episódio, a personagem diz que é viciada em cocaína, mas, até chegar lá, você fica ‘boiando’. Durante uma sessão em grupo, Jessa afirma achar que outra integrante do grupo tem um jeitão de ser lésbica. Mas, depois, ela pede desculpas para a outra mulher, que está em processo de reabilitação e… elas conversam um pouco, aparece uma cena em que Jéssica está fazendo sexo oral na personagem ‘supostamente’ lésbica.

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O que gostaria de ressaltar é que mesmo com um tropeço aqui e acolá, um roteiro fantasioso e uma irritação danada com essas personagens que não tomam um rumo na vida, se você tiver paciência e tempo, vale a pena assistir “Girls”. Mesmo que seja pelo simples fato de ele ser rodado em Nova York e, se dermos sorte, pode ser que haja alguma trama LGBT na próxima temporada. Mas, enquanto isso, é mais fácil quebrar a saudades da cidade norte-americana ouvindo Frank Sinatra, que afinal é uma bela menção a “New York, New York”.

Imagem: Divulgação.

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