A História dos Bastidores Contada pela Co-Diretor do Documentário Waiting for B.

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Uma entrevista com PC, co-diretor do premiado documentário brasileiro Waiting for B.

Você já sentiu isso em relação a algum filme:

Se interessa por ele, todo mundo fala bem dele e você quer assisti-lo, mas você nunca consegue um tempo na agenda para isso?

Algo parecido estava acontecendo comigo e com “Waiting for B.”, um documentário sobre fãs brasileiros da cantora Beyoncé que acamparam em frente ao Estádio do Morumbi, em São Paulo, durante dois meses, antes do show da diva, realizado em 2013.

O filme fez parte da programação do Festival Mix Brasil da Cultura da Diversidade de 2016, no qual levou o prêmio de Melhor Longa-Metragem Brasil do Festival. Na época, não consegui o assistir.

Ele também foi exibido, aqui em São Paulo, em 2016, no IN-EDIT BRASIL (Festival Internacional do Documentário Musical), quando levou a Menção Especial do Júri.

Em março deste ano, o filme participou do projeto “Sessão Vitrine Petrobrás” e, por isso, entrou em cartaz em 20 cidades brasileiras.

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Parece brincadeira, mas, por mais que eu desejasse assistir ao filme, não consegui em nenhuma dessas ocasiões.

E finalmente o descobri, depois que entramos em contato com a sua assessoria de imprensa “Waiting For B.”

Portanto, trazemos aqui, nesse texto, uma entrevista com o co-diretor da obra, Paulo Cesar Toledo, também conhecido como PC, que conta detalhes sobre os bastidores da produção do filme que, além de premiado no Brasil, vem ganhando muito reconhecimento em importantes festivais de cinema promovidos pelo mundo.

Mas antes, uma dica…

Para você não ficar [email protected] como eu, “Waiting for B.” está disponível no iTunes para você comprar e / ou baixar.

Ou no canal do YouTube de filmes:

Há também a possibilidade de assistir uma prévia do filme e só depois comprá-lo, caso queira.

Agora, a minha sincera opinião sobre o filme é que me reconheci em várias passagens, principalmente por ter sofrido uma agressão homofóbica.

Sei que a homofobia, em alguns casos, pode levar você a se transformar (isso pode ser bom por um lado, porque você amadurece mais rápido, mas é muito ruim porque vive-se em um estado de alerta que não é nada bacana).

E isso é algo que o filme mostra com maestria.

Outro ponto que gostaria de destacar é que este é um dos poucos filmes LGBTs que retratam a nossa comunidade LGBT brasileira com todas as suas características, principalmente a liberdade, a união, o carinho e a amizade.

Depois de expor a minha opinião sobre “Waiting for B.”, acredito que você ficou [email protected] para assistir, não é?

Antes de ir ao iTunes, fique aqui e leia a entrevista que fiz com PC, co-diretor de “Waiting for B.”

Reversa Magazine: Como foi o processo de gravação? Vocês chegaram a dormir lá algum dia, em alguma barraca?

Paulo Cesar Toledo: Como não tivemos financiamento para o filme, nós fizemos as filmagens nas horas vagas de outros trabalhos.

Éramos só duas pessoas, eu e Abigail Spindel (além de co-diretores, também somos casados) e só dormimos lá no último dia, pois moramos relativamente perto do local.

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Reversa Magazine: A gente, do Reversa Magazine, sempre gosta de saber dos bastidores dos filmes. Portanto, qual foi o maior desafio que vocês enfrentaram durante a gravação do documentário?

Paulo Cesar Toledo: Este filme não foi muito difícil de filmar porque não havia muito deslocamento. Era só chegar no mesmo lugar, ver quem estava lá, gravar e segui-los para os outros cantos da vida.

O maior desafio foi trabalhar às cegas, sem saber se ia render um filme ou não, e coordenar com eles para filmarmos fora do acampamento, mas no geral, graças à companhia deles, era sempre um prazer.

Reversa Magazine: Uma coisa que me deu um grande desespero no filme foi ver que eles, literalmente, dormiram na rua para esperar o começo do show. E havia alguma segurança lá? Eles não tinham medo de correr algum perigo durante a madrugada?

Paulo Cesar Toledo: Nós também ficávamos preocupados com isso.

Em algumas ocasiões, aconteceu de alguém jogar coisas nas barracas enquanto eles estavam dormindo, mas, graças a Deus, ninguém se feriu.

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Reversa Magazine: Vocês sabem nos dizer se a Beyoncé ou alguém muito próximo dela soube da existência do documentário de vocês?

Paulo Cesar Toledo: Nos últimos dois anos tivemos três ou quatro pessoas que tentaram fazer o filme chegar a ela, incluindo uma fotógrafa que trabalha com ela, mas nunca tivemos uma resposta.

Reversa Magazine: Vocês tiveram algum problema na questão de direitos autorais, afinal, muitas vezes, a imagem e músicas da artista aparecem na tela. Como foi esse processo?

Paulo Cesar Toledo: Sempre soubemos que não poderíamos usar a música da Beyoncé no filme, então não temos a música dela como trilha musical, a trilha foi feita por amigos talentosos que tentaram capturar o som dela ou fazer um comentário nessa música.

Os trechos de canções dela que aparecem no filme fazem parte da cena e foram capturadas no ambiente, em situações em que seria impossível interromper a música sem prejuízo à cena.

Em documentários e no jornalismo, essa situação é chamada de “Fair Use”.

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Reversa Magazine: O filme percorreu/está percorrendo vários festivais de cinema, principalmente os LGBTs, do Brasil e do mundo. Em relação aos festivais internacionais, vocês sentem que há alguma recepção diferente pelo fato da comunidade LGBT brasileira ser apresentada como ela é – com as suas características próprias e, claro, com o tempero brasileiro?

Paulo Cesar Toledo: Esta parte foi muito interessante para nós.

Eram públicos completamente diversos em Copenhague, Zanzibar e Atlanta. Eles reagiram diferente em todos os sentidos, especialmente em relação ao humor.

Às vezes coisas que parecem engraçadas para um dinamarquês são trágicas para um brasileiro, e vice-versa.

Mas realmente nos emocionou a maneira como o carisma e a paixão dos nossos personagens foram traduzidas para o mundo todo.

Reversa Magazine: Qual é a maior lição que vocês aprenderam com as pessoas que, literalmente, dedicam a vida por um show e pela Beyoncé?

Paulo Cesar Toledo: Para mim, que sou fã de muitos músicos, senti um outro aspecto do fandom, que pode mudar a sua vida, que o gesto de gostar é um gesto de viver.

Abigail disse que isso aprofundou a sensibilidade dela sobre Brasil, já que nós lidamos com amor, dinheiro e produtos culturais internacionais.

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Reversa Magazine: Quais são os atuais projetos que vocês estão [email protected]?

Paulo Cesar Toledo: Estamos desenvolvendo algumas ideias agora, mas nada ainda muito avançado.

Imagens: Waiting For B. // Divulgação.

 

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  • Pina

    Ainda não consegui assistir. Tô bem curioso e fiquei bem mais após essa essa entrevista. ❤

    • Legal saber disso, Pina.
      No texto, colocamos os links para que, se você quiser, comprá-lo pelo YouTube ou pelo iTunes.
      Recomendamos muito, vale a pena! 😉