A Websérie Lésbica Brasileira que Você Ainda Não Assistiu

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Apontamos alguns pontos em uma websérie lésbica brasileira que tem tudo para ser criativa e ousada



Recebemos uma sugestão para escrever sobre a websérie lésbica SEPTO.

Relutei um pouco em analisar um produto cultural LGBT que, até a publicação desse texto, só tem disponível cinco episódios e está em sua primeira temporada (e explico o porquê), inclusive é por isso que esse texto terá uma crítica mais leve.

Não dá para falar muito sobre algo que a gente ainda não sabe direito como será a longo prazo. Por exemplo, se uma websérie lésbica tem 15 episódios e três temporadas, lá pelo décimo terceiro você tem uma base de como a história irá se desenrolar e qual é o estilo do produto audiovisual (mais dramático ou não, com mais humor ou não, etc.).

E por ter poucos episódio, ao meu ver, SEPTO já falha.

Outro grande problema é que esses mesmos episódios têm, em média, oito minutos de duração (menos da metade do tempo médio de um curta-metragem). Isso é muito complicado, porque bem quando você está entrando no clima do roteiro… Ele acaba! Aff!

Não tenho contato com a direção da obra, mas deve haver algum motivo para isso, seja orçamentário ou até de roteiro mesmo (na primeira temporada são mais curtos, para nas demais terem mais tempo).

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Outra coisa que notei é que a história começou a se desenrolar lá pelo final do terceiro e do quarto episódios.

E mais um detalhe: as interações entre personagens e seus diálogos são muitas vezes cheias de silêncio. Algo que poderia ter sido legal, mas, que infelizmente, não é. Um roteiro mais silencioso requer uma atenção maior nos detalhes – closes nas mãos e bocas, por exemplo. E a maioria das cenas silenciosas são apresentadas em planos abertos.

Além disso, se compararmos com outros seriados, muita coisa acontece em um só episódio. Um personagem casa, descasa e vai para uma outra festa para conhecer alguém, por exemplo. E isso tudo acontece, claro, porque há tempo para que a história seja contada. Ou seja, sem uma duração muita longa, ao meu ver, a websérie lésbica SEPTO peca por ter poucos acontecimentos, muitas vezes realizados, como já dito, em silêncio.

O lado ruim disso é que você diz internamente: “vamos lá, gente, vamos lá…”.

Em resumo: parece que a websérie está sempre tentando acelerar, mas não libera o freio de mão.

Há também um detalhe: talvez SEPTO esteja querendo inovar ao ser uma websérie com um formato específico para Internet, com menos diálogos.

Qual é a novidade aqui, dona Maira?

Na Internet, as coisas acontecem na velocidade da luz, portanto, se você assistir algumas webséries no Youtube, vai se deparar com várias produzidas em um formatos semelhantes aos de vídeos publicados nessa plataforma (rápidos, com uma edição, muitas vezes, com cortes mais secos, etc). Portanto, fazer uma websérie mais silenciosa, para ser publicada em um meio que requer informações e interações instantâneas, pode ser um ponto positivo por ser um diferencial.

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Mas, voltando ao meu pensamento acima, sinto que esse silêncio poderia ser mais trabalhado.

Um exemplo: quando as garotas se beijam, você não vê em momento algum um close nos rostos delas ou em partes dos seus corpos ou um jogo de câmeras, com ângulos diferentes da mesma cena. Elas estão em um plano aberto, dá para ver tudo o que acontece – tanto que no final, elas saem de cena. Isso nem é uma questão orçamentária (não ter equipamentos) porque é só regravar a mesma cena em ângulos diferentes, por exemplo.

O que pode ter acontecido (não sei dizer com certeza por não ter tido acesso a detalhes da produção), é que eles não tiveram tempo para regravar a cena porque, vamos supor, a luz do dia seguinte não estava adequada. Sim, imprevistos de cronograma existem. Mas será que isso mesmo aconteceu? Vai saber…

Também há uma diferença gigantesca de interpretação entre as atrizes principais. Até o quarto episódio, Priscilla Vilela (que interpreta Lua) estava bem mais segura em seu papel do que Alice Carvalho, (que está no papel de Jéssica Borges).

Há quem diga que isso é de propósito, porque as personagens delas requerem isso, afinal há uma diferença de idade e o que impacta em uma maturidade de cada personagem e blablabla.

Mas arrisco dizer que não é o caso, vejo mais uma questão de direção mesmo. Parece que a Priscilla Vilela (Lua) está mais segura em seu papel do que Alice Carvalho (Jéssica). Porém, isso pode ser melhorado a partir da próxima temporada e, principalmente, porque, pelo visto, ela promete trazer uma reviravolta na vida de Jéssica, não é? E, assim, espero que Alice Carvalho possa mostrar ainda toda a sua capacidade artística.

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Mas nem tudo são críticas e pontos negativos. Um das coisas mais legais de SEPTO é que ela foi gravada toda em Natal (RN), ou seja, saímos do eixo Rio-São Paulo.

Qual o impacto disso?

Temos aqui uma websérie lésbica que não está focado na cidade ou em uma praia carioca.

E isso também apresentou um problema no roteiro, pois, Lua disse para a Jésssica que ela saiu de uma cidade pequena porque a família não a aceitava. E como Jéssica foi parar justamente na cidade em que Lua vive? Ela já morava lá? Ou foi para lá depois que a sua mãe morreu? Como ela era ou é uma triatleta campeã, tinha rodado o mundo, né? Então ela apenas viajou ou se mudou recentemente? Ganhou competições e voltou para essa mesma cidade….E essas questões que ficaram em aberto na primeira temporada de SEPTO.

O que eu vejo é que SEPTO pode ser melhorada em alguns desses pontos citados acima.

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O mais importante é que a história precisa de mais tempo para ser contada. Se a série continuar com esse roteiro silencioso e a mesma duração, será uma falha grave de produção e de direção.

E, por falar em direção, finalmente colocaram mulheres, Vitória Real e Tereza Duarte, na direção dessa websérie lésbica! Amém.

Se tem um ponto que não precisa ser mudado é a trilha sonora. Isso eu vejo como o que há de melhor nessa primeira temporada.

As músicas finais do terceiro e quatro episódios são excelentes. Deixo a relação abaixo para quem quiser ouvi-las.

Aguardamos a próxima temporada (e, espero, com ajustes em alguns pontos) para que possamos acompanhar o desenrolar dessa história porque, sinceramente, a websérie lésbica SEPTO pode decolar ao fazer sucesso com muita ousadia e criatividade.

E, claro, sem clichê do universo lésbico, pelo amor de Deus, hein?

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Se você ainda não assistiu, é só acessar aqui, pois os links dos outros episódios estarão disponíveis nos próximos nas descrições dos posts. Então é só assistir um atrás do outro.

Trilha Sonora – 1º Temporada SEPTO. Você não pode deixar de ouvir:

Música Final do 3º Episódio:

Música Final do 4º Episódio:

Imagens tirados do Facebook de SEPTO.

Observação: Se você curte websérie lésbica, não deixe de ler esse nosso texto que listamos 6 obras imperdíveis.

 

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